4º Ciclo de Capacitação do Selo Unicef Município Aprovado–Edição 2009/2012 ocorre nesta quinta-feira (14), em Barreiras, com a participação de 32 municípios do semiárido baiano. O evento é realizado em parceria com a Secretaria para Assuntos Internacionais e da Agenda Bahia (Serinter), por intermédio do Comitê Estadual do Pacto Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semiárido.
No decorrer deste mês serão realizados cinco encontros em quatro cidades. O primeiro foi em Juazeiro, nos dias 6 e 7, reuniu 70 representantes de 18 municípios e discutiu as estratégias de promoção do desenvolvimento infantil, do direito à comunicação e à participação de adolescentes na discussão das políticas públicas.
A capacitação desta quinta-feira em Barreiras contará com a participação de aproximadamente 100 pessoas e vai debater as propostas de fortalecimento das políticas sociais para a infância e a adolescência da região.
No próximo dia 20, será a vez de Vitória da Conquista, onde estarão reunidas 240 pessoas procedentes de 59 municípios. Por último, serão realizados dois encontros em Feira de Santana, nos dias 26 e 27, destinados a convidados de 45 municípios em cada dia.
Objetivos do milênio
Iara Farias, articuladora estadual do Pacto Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semiárido, informou que os adolescentes foram convidados a participar de oficinas específicas para jovens lideranças, com material e metodologia desenvolvidos para este público. Vídeos, músicas, charges e dinâmicas são utilizados como forma de discutir a importância da garantia do direito à comunicação e fazer valer outros direitos humanos.
Os encontros são também uma oportunidade para os gestores públicos divulgarem as boas práticas, que ajudem a melhorar os indicadores dos oito objetivos do milênio estabelecidos, em 2000, pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a ONU, os objetivos são os seguintes: acabar com a fome e a miséria, educação básica para todos, igualdade entre os sexos e valorização da mulher, redução da mortalidade infantil, melhorar a saúde das gestantes, combate a Aids, malária e outras doenças, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente, todos trabalhando pelo desenvolvimento.
O Pacto Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semiárido, lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), encontrou, na Bahia, o apoio do Governo do Estado, determinado a superar as disparidades regionais, priorizando o desenvolvimento sustentável do Semiárido.
O Comitê Estadual do Pacto Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semiárido está sob a responsabilidade do secretário para Assuntos Internacionais e da Agenda Bahia, Fernando Schmidt, e atua na articulação das secretarias estaduais para promoverem de forma integrada o desenvolvimento econômico, social e cultural dos
IDAN (Postagem - Daiane Guedes)
O IDAN – Instituto do Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido, associação sem fins lucrativos, criada em 02 de junho de 2006, tem como finalidade principal contribuir para o desenvolvimento econômico e social das famílias agrícolas do semi-árido baiano, promovendo o combate à pobreza, através da educação e organização dos produtores, implantar e consolidar o associativismo, as parcerias rurais integradas e a inserção em cadeias produtivas.
Mostrando postagens com marcador Eric Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eric Silva. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Semiárido baiano ganha projetos de ciência e tecnologia
07 de Julho de 2008
Projetos foram assegurados graças à assinatura de um protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa
Uma base sólida de ciência e tecnologia vai ser desenvolvida no semi-árido baiano. Com possibilidade de qualificação e inserção da população local no mercado de trabalho, além da descoberta de novos talentos na área da ciência, dois projetos para a região foram anunciados, nesta segunda-feira (7), na Governadoria - a implantação do Centro de Educação Científica da Bahia, que vai funcionar na cidade de Serrinha e terá capacidade para atender a 400 alunos, e a criação do Instituto Internacional de Biotecnologia e Bioprospecção do Semi-Árido da Bahia (IINN-SAB), que deverá ser construído em Feira de Santana. As duas iniciativas somam R$ 4,97 milhões em investimentos.
Os projetos foram assegurados graças à assinatura de um protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (Aasdap). A idéia do centro é trabalhar a inclusão social de crianças e adolescentes da rede pública do semi-árido, por meio de conceitos e práticas da ciência moderna.
As obras devem começar em setembro e a primeira classe iniciar os estudos em março de 2009. A prefeita de Serrinha, Tânia Lomes, recebeu a notícia com entusiasmo. “Para o município, é uma grande oportunidade. Acreditamos no potencial da nossa gente e espero que muitos cientistas sejam revelados”, enfatizou.
Já os estudos que prevêem a criação do Instituto Internacional de Biotecnologia e Bioprospecção do Semi-Árido da Bahia (IINN-SAB) devem começar ainda este mês, com previsão de conclusão para janeiro do próximo ano. Para a sua construção, serão elaborados planos científicos e diagnósticos das vocações regionais, com a meta de estabelecer parcerias e definir estratégias destinados ao bom funcionamento do local.
Tecnologia de ponta
O protocolo de intenções foi assinado pelo governador Jaques Wagner, pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira, e pelo presidente da Aasdap, Miguel Ângelo Nicolelis. Na opinião de Wagner, o acordo simboliza a interiorização da pesquisa e da tecnologia no estado. “O semi-árido vai ganhar uma outra feição depois disso. É uma região que tem muito a oferecer, basta aportar conhecimento. Aqui, nós plantamos a semente e espero que ela possa frutificar”, declarou.
Médico e cientista brasileiro, o professor Miguel Ângelo Nicolelis elogiou a “ousadia” do governo baiano ao levar tecnologia de ponta ao interior do estado. “Isso vai permitir que o semi-árido tenha contato com novas oportunidades e ferramentas de produção de conhecimento. Será uma porta aberta para novos ‘Santos Dumonts’ voarem com seus ‘14 Bis’ pelo interior e, assim, construírem o mundo que sonhamos”, falou ele, com a autoridade de quem é considerado um dos maiores pesquisadores do mundo. Na Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis desenvolve pesquisas sobre o cérebro e lidera um grupo de estudiosos na área de neurociência.
A Aasdap foi criada em 2004, com a missão de propriciar um ambiente destinado a reunir competências nos principais setores da ciência moderna, tendo em vista o desenvolvimento de pesquisas de ponta em múltiplas áreas do conhecimento.
A parceria da instituição com o governo baiano foi bem recebida pelo secretário Ildes Ferreira. “As duas iniciativas firmadas aqui vão funcionar como um canal importante na descoberta de novos talentos no semi-árido, na pele de meninos e meninas que, certamente, vão se apaixonar por ciência e tecnologia”, comentou o secretário.
Projetos foram assegurados graças à assinatura de um protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa
Uma base sólida de ciência e tecnologia vai ser desenvolvida no semi-árido baiano. Com possibilidade de qualificação e inserção da população local no mercado de trabalho, além da descoberta de novos talentos na área da ciência, dois projetos para a região foram anunciados, nesta segunda-feira (7), na Governadoria - a implantação do Centro de Educação Científica da Bahia, que vai funcionar na cidade de Serrinha e terá capacidade para atender a 400 alunos, e a criação do Instituto Internacional de Biotecnologia e Bioprospecção do Semi-Árido da Bahia (IINN-SAB), que deverá ser construído em Feira de Santana. As duas iniciativas somam R$ 4,97 milhões em investimentos.
Os projetos foram assegurados graças à assinatura de um protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (Aasdap). A idéia do centro é trabalhar a inclusão social de crianças e adolescentes da rede pública do semi-árido, por meio de conceitos e práticas da ciência moderna.
As obras devem começar em setembro e a primeira classe iniciar os estudos em março de 2009. A prefeita de Serrinha, Tânia Lomes, recebeu a notícia com entusiasmo. “Para o município, é uma grande oportunidade. Acreditamos no potencial da nossa gente e espero que muitos cientistas sejam revelados”, enfatizou.
Já os estudos que prevêem a criação do Instituto Internacional de Biotecnologia e Bioprospecção do Semi-Árido da Bahia (IINN-SAB) devem começar ainda este mês, com previsão de conclusão para janeiro do próximo ano. Para a sua construção, serão elaborados planos científicos e diagnósticos das vocações regionais, com a meta de estabelecer parcerias e definir estratégias destinados ao bom funcionamento do local.
Tecnologia de ponta
O protocolo de intenções foi assinado pelo governador Jaques Wagner, pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira, e pelo presidente da Aasdap, Miguel Ângelo Nicolelis. Na opinião de Wagner, o acordo simboliza a interiorização da pesquisa e da tecnologia no estado. “O semi-árido vai ganhar uma outra feição depois disso. É uma região que tem muito a oferecer, basta aportar conhecimento. Aqui, nós plantamos a semente e espero que ela possa frutificar”, declarou.
Médico e cientista brasileiro, o professor Miguel Ângelo Nicolelis elogiou a “ousadia” do governo baiano ao levar tecnologia de ponta ao interior do estado. “Isso vai permitir que o semi-árido tenha contato com novas oportunidades e ferramentas de produção de conhecimento. Será uma porta aberta para novos ‘Santos Dumonts’ voarem com seus ‘14 Bis’ pelo interior e, assim, construírem o mundo que sonhamos”, falou ele, com a autoridade de quem é considerado um dos maiores pesquisadores do mundo. Na Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis desenvolve pesquisas sobre o cérebro e lidera um grupo de estudiosos na área de neurociência.
A Aasdap foi criada em 2004, com a missão de propriciar um ambiente destinado a reunir competências nos principais setores da ciência moderna, tendo em vista o desenvolvimento de pesquisas de ponta em múltiplas áreas do conhecimento.
A parceria da instituição com o governo baiano foi bem recebida pelo secretário Ildes Ferreira. “As duas iniciativas firmadas aqui vão funcionar como um canal importante na descoberta de novos talentos no semi-árido, na pele de meninos e meninas que, certamente, vão se apaixonar por ciência e tecnologia”, comentou o secretário.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
História do Sertão - sofrimento das secas é lembrado em caminhada
Caminhada da Seca reúne 5 mil fiéis
Publicado em 14 de novembro de 2011
A caminhada em Senador Pompeu é sempre no segundo domingo de novembro. O cortejo inicia às 5 horas
São cerca de seis quilômetros de distância. São quase duas horas até a chegada ao cemitério da barragem. Neste ano, uma das novidades foi o Cristo Crucificado à frente da procissão
FOTO: ALEX PIMENTEL
Senador Pompeu O ritual se repetiu pelo 29º ano consecutivo. Ainda era madrugada quando milhares se concentraram diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, no Centro de Senador Pompeu. Eram fiéis, cerca de 5 mil devotos das Almas da Barragem, a aguardar o sinal para o início do cortejo em homenagem aos retirantes da seca de 1932, dizimados no Campo de Concentração do Açude Patu, na periferia da cidade. Na maioria mulheres, muitas descalças, dispostas a pagar promessas atendidas pelas Santas Almas. Mas havia também o contexto social, representando por organizações não governamentais, e busca de justiça social e reparo histórico da tragédia humana registrada no Açude Patu.
E nesta Caminhada as novidades foram o Cristo Crucificado à frente da procissão e a despedida do padre Carlos Roberto Costa, um dos principais responsáveis pela revitalização da Caminhada da Seca. Foi a última participação dele à frente da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. No próximo ano ele deve voltar, mas como missionário de outra freguesia. Nos últimos sete anos, além da mobilização pastoral, era ele quem guiava o rebanho humano pela sinuosa estrada do Santuário da Seca.
Pregação
A cada quilometro percorrido, uma rápida pregação em louvor das santas almas da barragem. Respeitosamente a multidão ouvia algumas passagens do o sofrimento de quem não sobreviveu no curral da fome, como o lugar também ficou conhecido. Um momento de penúria ao saberem de famílias inteiras sepultadas em covas rasas por não conseguirem vencer dois inimigos mortais, a fome e a cólera. "Mas não se foram em vão", justificava a aposentada Maria Augusta Moreira. Mesmo chegando aos 80 anos ela faz questão de participar passo-a-passo de todo o trajeto. Por conta do cansaço nas pernas, caminhada só de ida.
A explicação para a peregrinação, cada vez mais fortalecida, de acordo com o padre Roberto Costa, está no próprio povo, ao depositar suas esperanças no santo coletivo. Com o passar dos anos, os milagres estão surgindo e a fé se fortalecendo. Mas além da religiosidade é preciso refletir sobre o vergonhoso episódio do campo de concentração. Relembrá-lo a cada caminhada é alertar os governantes para que essa passagem nunca mais se repita. Esse é um dos principais propósitos da mobilização criada em 1982 pelo vigário Albino Donatti. Além da fé, a consciência e o desenvolvimento de políticas públicas para convívio com a seca e com o semiárido completam o ato.
E foi justamente o que uma das últimas sobreviventes do Campo de Concentração, Luiza Pereira Lo, relatou para cerca de cinco mil pessoas, mais uma vez, na tradicional missa campal realizada em frente ao Santuário das Almas da Barragem. Tem sido assim ao longo de quase três décadas. Primeiro foi com o padre Albino Donatti, de 1982 a 1994; em seguida, o padre João Paulo, de 1995 a 1999; depois, Frei Duarte, em 2000 e 2001. Ele foi seguido pelo padre José Marques, á frente da Caminhada da Seca até 2004, quando foi substituído pelo pároco Roberto Costa, completando este ano sua sétima participação à frente do movimento católico em louvor das Almas da Barragem.
Distância
São cerca de seis quilômetros de distância. São quase duas horas até a chegada ao cemitério da barragem. O campo santo está situado numa colina com vista para as ruínas da Vila dos Ingleses e a represa pública concluída pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) em 1987, com capacidade para 71.829.000 m³ e atualmente com 90,5% de sua capacidade, conforme dados da Funceme. Por ironia, justamente onde milhares de flagelados morreram está principal fonte de vida e riqueza da "Terra das almas da barragem".
Além da Igreja Católica, por meio da Diocese de Iguatu, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC) e o Instituto Casarão integram o grupo de mobilização da Caminha da Seca.
Publicado em 14 de novembro de 2011
A caminhada em Senador Pompeu é sempre no segundo domingo de novembro. O cortejo inicia às 5 horas
São cerca de seis quilômetros de distância. São quase duas horas até a chegada ao cemitério da barragem. Neste ano, uma das novidades foi o Cristo Crucificado à frente da procissão
FOTO: ALEX PIMENTEL
Senador Pompeu O ritual se repetiu pelo 29º ano consecutivo. Ainda era madrugada quando milhares se concentraram diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, no Centro de Senador Pompeu. Eram fiéis, cerca de 5 mil devotos das Almas da Barragem, a aguardar o sinal para o início do cortejo em homenagem aos retirantes da seca de 1932, dizimados no Campo de Concentração do Açude Patu, na periferia da cidade. Na maioria mulheres, muitas descalças, dispostas a pagar promessas atendidas pelas Santas Almas. Mas havia também o contexto social, representando por organizações não governamentais, e busca de justiça social e reparo histórico da tragédia humana registrada no Açude Patu.
E nesta Caminhada as novidades foram o Cristo Crucificado à frente da procissão e a despedida do padre Carlos Roberto Costa, um dos principais responsáveis pela revitalização da Caminhada da Seca. Foi a última participação dele à frente da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. No próximo ano ele deve voltar, mas como missionário de outra freguesia. Nos últimos sete anos, além da mobilização pastoral, era ele quem guiava o rebanho humano pela sinuosa estrada do Santuário da Seca.
Pregação
A cada quilometro percorrido, uma rápida pregação em louvor das santas almas da barragem. Respeitosamente a multidão ouvia algumas passagens do o sofrimento de quem não sobreviveu no curral da fome, como o lugar também ficou conhecido. Um momento de penúria ao saberem de famílias inteiras sepultadas em covas rasas por não conseguirem vencer dois inimigos mortais, a fome e a cólera. "Mas não se foram em vão", justificava a aposentada Maria Augusta Moreira. Mesmo chegando aos 80 anos ela faz questão de participar passo-a-passo de todo o trajeto. Por conta do cansaço nas pernas, caminhada só de ida.
A explicação para a peregrinação, cada vez mais fortalecida, de acordo com o padre Roberto Costa, está no próprio povo, ao depositar suas esperanças no santo coletivo. Com o passar dos anos, os milagres estão surgindo e a fé se fortalecendo. Mas além da religiosidade é preciso refletir sobre o vergonhoso episódio do campo de concentração. Relembrá-lo a cada caminhada é alertar os governantes para que essa passagem nunca mais se repita. Esse é um dos principais propósitos da mobilização criada em 1982 pelo vigário Albino Donatti. Além da fé, a consciência e o desenvolvimento de políticas públicas para convívio com a seca e com o semiárido completam o ato.
E foi justamente o que uma das últimas sobreviventes do Campo de Concentração, Luiza Pereira Lo, relatou para cerca de cinco mil pessoas, mais uma vez, na tradicional missa campal realizada em frente ao Santuário das Almas da Barragem. Tem sido assim ao longo de quase três décadas. Primeiro foi com o padre Albino Donatti, de 1982 a 1994; em seguida, o padre João Paulo, de 1995 a 1999; depois, Frei Duarte, em 2000 e 2001. Ele foi seguido pelo padre José Marques, á frente da Caminhada da Seca até 2004, quando foi substituído pelo pároco Roberto Costa, completando este ano sua sétima participação à frente do movimento católico em louvor das Almas da Barragem.
Distância
São cerca de seis quilômetros de distância. São quase duas horas até a chegada ao cemitério da barragem. O campo santo está situado numa colina com vista para as ruínas da Vila dos Ingleses e a represa pública concluída pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) em 1987, com capacidade para 71.829.000 m³ e atualmente com 90,5% de sua capacidade, conforme dados da Funceme. Por ironia, justamente onde milhares de flagelados morreram está principal fonte de vida e riqueza da "Terra das almas da barragem".
Além da Igreja Católica, por meio da Diocese de Iguatu, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC) e o Instituto Casarão integram o grupo de mobilização da Caminha da Seca.
Características da Região Semi-árida

O Semi-Árido brasileiro representa 18% do território nacional e abriga 29% da população do País. Possui uma extensão de 858.000 km2, representando cerca de 57% do território nordestino, sendo que a área designada como Polígono das Secas (ocorrência de secas periódicas) é estimada em 1.083.790,7 km2. No Semi-Árido, vivem 18,5 milhões de pessoas, com destaque para o fato de que 8,6 milhões pertencem à zona rural, caracterizada por alta vulnerabilidade, já que estão entre os mais pobres da região, com índices de qualidade de vida muito abaixo da média nacional. Sua densidade demográfica de 20 hab/km2 não parece alta quando comparada com a média nordestina que é de 28 hab/km2. Contudo, tomando por base outras regiões semi-áridas no mundo, apresenta-se como uma das mais elevadas. Acresçam-se a esse fato as próprias características naturais ali predominantes. Longe de se caracterizar como um espaço homogêneo, o Semi-Árido pode ser apresentado como um "grande mosaico".
Como principal característica climática, destacam-se as temperaturas médias elevadas e precipitações médias anuais inferiores a 800 mm, extremamente concentradas, gerando os períodos de chuva e estiagens. Cerca de 50% dos terrenos do Semi-Árido são de origem cristalina, rocha dura que não favorece a acumulação de água, sendo os outros 50% representados por terrenos sedimentares, com boa capacidade de armazenamento de águas subterrâneas. Suas feições de relevo refletem a dinâmica climática e estrutural, mas, apesar de dominar grandes extensões dissecadas, é possível registrar significativas áreas ocupadas por serras e vales úmidos.
São apenas dois os rios permanentes que cortam o Semi-Árido: o São Francisco e o Parnaíba; sendo que os demais aparecem de forma intermitente (apenas nos períodos de chuva), desempenhando, contudo, um papel fundamental na dinâmica de ocupação dos espaços nessa região. Mas a disponibilidade de água existente e potencial deve ser vista considerando, também, os açudes públicos e reservatórios privados, além das alternativas crescentes de captação de água para o consumo doméstico.
Essa diversidade natural comporta práticas de manejo do território marcadas por relações sociais "arcaicas" e "modernas", includentes e excludentes; por atividades econômicas tradicionais, de pouca inserção no mercado, com baixo uso de tecnologia em contraste com setores de ponta oriundos da agricultura irrigada. Em ambas as situações, as conseqüências ambientais são graves. Comporta, antes de tudo, uma alta concentração de terras e uma estrutura sócio-política altamente paternalista. Na agricultura tradicional, baseada no sistema de policultura (principalmente milho e feijão) e pecuária (rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos), a vulnerabilidade à existência das secas é elevada e a situação agrava-se quando o foco recai nos pequenos agricultores ou nos trabalhadores sem-terra.
Nesse cenário, têm sido marcantes, principalmente até a década de 80, as migrações inter-regionais como alternativa à falta de sustentabilidade para a população mais vulnerável no Semi-Árido, sendo que, nos últimos anos e nas últimas secas, tem sido registrado um fluxo maior para as cidades (periferias) de porte médio na Região Nordeste. Ficam patentes a desestruturação das unidades familiares, diante da impossibilidade de sobrevivência nos períodos de seca, e a ineficiência das ações do poder público, historicamente baseadas em medidas emergenciais e políticas setoriais. É necessário partir para estratégias de políticas públicas com foco integrado de objetivos simultaneamente sócio-econômicos, político-institucionais, culturais e ambientais.
Clima Semi-árido
Típico do interior do Nordeste, região conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a quase todo o sertão nordestino e aos vales médio e inferior do rio São Francisco. Sofre a influência da massa tropical atlântica que, ao chegar à região, já se apresenta com pouca umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média de 27ºC) e chuvas escassas (em torno de 750 mm/ano), irregulares e mal distribuídas durante o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida) chega no litoral norte de Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva intensa nos meses de fevereiro, março e abril.
Semiárido
Semiárido
Clique na imagem para ver o mapa ampliado Segundo dados oficiais do Ministério da Integração, o Semiárido brasileiro abrange uma área de 969.589,4 km² e compreende 1.133 municípios de nove estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A ASA atua em todos esses estados e também no Maranhão. (Veja aqui a relação completa dos municípios que compõem a nova delimitação do Semiárido)
Nessa região, vivem 22 milhões de pessoas, que representam 11,8% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o Semiárido mais populoso do planeta.
O Semiárido tem a maior parte do seu território coberto pela Caatinga -, único bioma exclusivamente brasileiro -, rico em espécies endêmicas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A composição florística da Caatinga não é uniforme em toda a sua extensão. Apresenta grande variedade de paisagens, de espécies animal e vegetal, nativas e adaptadas, com alto potencial e que garantem a sobrevivência das famílias agricultoras da região.
Essa heterogeneidade tem levado alguns autores a utilizar a expressão – as caatingas. Na sua pluralidade pode-se falar em pelo menos 12 tipos de caatingas, que chamam atenção especial pelos exemplos incríveis de adaptações ao habitat.
Outra característica do Semiárido brasileiro é o déficit hídrico. Mas, isso não significa falta de água. Pelo contrário, é o semiárido mais chuvoso do planeta. A média pluviométrica vai de 200 mm a 800 mm anuais, dependendo da região. Porém, as chuvas são irregulares no tempo e no espaço. Além disso, a quantidade de chuva é menor do que o índice de evaporação, que é de 3 mil mm/ano, ou seja, a evaporação é três vezes maior do que a de chuva que cai.
Isso significa que as famílias precisam se preparar para a chegada da chuva. Ter reservatórios para captar e armazenar água é fundamental para garantir segurança hídrica no período de estiagem, a exemplo das cisternas domésticas, cisternas-calçadão, barragens subterrâneas e dos tanques de pedra.
Indicadores sociais
Apesar do enorme potencial da natureza e do seu povo, o Semiárido é marcado por grandes desigualdades sociais. Segundo o Ministério da Integração Nacional mais da metade (58%) da população pobre do país vive na região. Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) demonstram que 67,4% das crianças e adolescentes no Semiárido são afetados pela pobreza3. São quase nove milhões de crianças e adolescentes desprovidos dos direitos humanos e sociais mais básicos, e dos elementos indispensáveis ao seu desenvolvimento pleno.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Semiárido é considerado baixo para aproximadamente 82% dos municípios, que possuem IDH até 0,65. O que significa um déficit em relação aos indicadores de renda, educação e longevidade para 62% da população do Semiárido.
Renda
As contradições e injustiças que permeiam a região podem ser percebidas inclusive no acesso à renda, que reflete também uma forte desigualdade de gênero. Metade da população no Semiárido, ou mais de dez milhões de pessoas, não possui renda ou tem como única fonte de rendimento os benefícios governamentais. Na sua maioria (59,5%) mulheres.
Os que dispõem de até um salário mínimo mensal somam mais de cinco milhões de pessoas (31,4%), sendo 47% mulheres. Enquanto isso, apenas 5,5% dispõem de uma renda entre dois a cinco salários mínimos, a maioria (67%) homens, e dos 0,15% com renda acima de 30salários mínimos apenas 18% são mulheres5.
O Índice de Gini, que mede o nível de desigualdade a partir da renda, está acima de 0,60 para mais de 32% dos municípios do Semiárido, demonstrativo de uma elevada concentração da renda na região. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.
Essa realidade metrificada e calculada pelas estatísticas é o reflexo de milhões de vidas que lutam cotidianamente sem o acesso aos direitos sociais e humanos mais fundamentais: aqui se inclui o direito à água. Uma realidade que exige transformações urgentes.
Êxodo
A população rural, de mais de oito milhões e meio de pessoas, reduziu 5,7% em relação ao ano de 2000, e hoje representa apenas 38% da população na região. Foram mais de 520 mil pessoas que deixaram de viver no Semiárido rural nos últimos dez anos. Estes números acompanham uma tendência no país, onde a população rural caiu em 6,3% no período analisado.
Esse dado reflete, também, que o Brasil ainda está aquém de garantir as condições necessárias para a opção das famílias de permanência no campo, em especial no Semiárido. Entre os principais elementos nesse processo está a elevada concentração de terras e de água.
Terra
Caracterizada por prolongado período seco, irregularidade de chuvas, semiaridez do clima e alta taxa de evapotranspiração, a região é marcada por uma histórica estrutura concentradora de renda, riquezas, água e terra.
No Semiárido existem mais de um milhão e setecentos mil estabelecimentos agropecuários (33% em relação ao total no país). Destes, 73% são proprietários que concentram 93% das terras da agropecuária; enquanto isso, 27% dos estabelecimentos agropecuários no Semiárido encontram-se em situação precarizada na relação com a terra, dispondo de apenas 7% da área.
Aqui se inclui o grupo de assentados/as sem titulação definitiva, com 2,8% do número de estabelecimentos; os arrendatários, com 3,7%; os parceiros, com 3,9% e os ocupantes com 11% dos estabelecimentos agropecuários. Soma-se a estes o grupo de produtores/as sem área no Semiárido, havendo mais de 92 mil famílias agricultoras nessa condição (5,4% dos estabelecimentos agropecuários), representando 36,3% das famílias agricultoras sem área do Brasil concentradas no Semiárido.
Água
Essa concentração rebate também na questão da água, apresentando reflexos em diversas dimensões da vida das pessoas. Atualmente 67% das famílias rurais nos estados que compõem o Semiárido não possuem acesso à rede geral de abastecimento de água, sendo que 43% utilizam poços ou nascentes, e 24% utilizam outras formas de acessar a água, que compreendem inclusive, buscas em fontes distantes, com longas caminhadas diárias, para o uso de uma água muitas vezes inadequada ao consumo humano.
Nesse contexto, a dificuldade no acesso à água, que em parte seria resultado do índice pluviométrico e da elevada taxa de evapotranspiração, é consequência, mais do que tudo, de uma política concentradora da água, através da qual uns poucos e privilegiados detêm a posse e uso de quase toda a água do Semiárido, enquanto outros morrem de sede.
Em um Semiárido com inúmeras desigualdades, são também múltiplas as alternativas e estratégias possíveis para a garantia do acesso à água por suas populações, muitas construídas por elas próprias. Na luta diária pela sobrevivência, mulheres e homens, portadores de um vasto saber adquirido a partir da observação da natureza ao longo dos tempos, aprenderam a arte de conviver com o meio ambiente olhando os ciclos das chuvas, o comportamento das plantas, dos animais e as características do clima e do solo.
Foi esse conhecimento que construiu as melhores técnicas de convivência com o Semiárido, a partir da iniciativa da estocagem, que tem sido garantida a partir da construção de tecnologias sociais para captação e armazenamento da água da chuva.
Clique na imagem para ver o mapa ampliado Segundo dados oficiais do Ministério da Integração, o Semiárido brasileiro abrange uma área de 969.589,4 km² e compreende 1.133 municípios de nove estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A ASA atua em todos esses estados e também no Maranhão. (Veja aqui a relação completa dos municípios que compõem a nova delimitação do Semiárido)
Nessa região, vivem 22 milhões de pessoas, que representam 11,8% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o Semiárido mais populoso do planeta.
O Semiárido tem a maior parte do seu território coberto pela Caatinga -, único bioma exclusivamente brasileiro -, rico em espécies endêmicas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A composição florística da Caatinga não é uniforme em toda a sua extensão. Apresenta grande variedade de paisagens, de espécies animal e vegetal, nativas e adaptadas, com alto potencial e que garantem a sobrevivência das famílias agricultoras da região.
Essa heterogeneidade tem levado alguns autores a utilizar a expressão – as caatingas. Na sua pluralidade pode-se falar em pelo menos 12 tipos de caatingas, que chamam atenção especial pelos exemplos incríveis de adaptações ao habitat.
Outra característica do Semiárido brasileiro é o déficit hídrico. Mas, isso não significa falta de água. Pelo contrário, é o semiárido mais chuvoso do planeta. A média pluviométrica vai de 200 mm a 800 mm anuais, dependendo da região. Porém, as chuvas são irregulares no tempo e no espaço. Além disso, a quantidade de chuva é menor do que o índice de evaporação, que é de 3 mil mm/ano, ou seja, a evaporação é três vezes maior do que a de chuva que cai.
Isso significa que as famílias precisam se preparar para a chegada da chuva. Ter reservatórios para captar e armazenar água é fundamental para garantir segurança hídrica no período de estiagem, a exemplo das cisternas domésticas, cisternas-calçadão, barragens subterrâneas e dos tanques de pedra.
Indicadores sociais
Apesar do enorme potencial da natureza e do seu povo, o Semiárido é marcado por grandes desigualdades sociais. Segundo o Ministério da Integração Nacional mais da metade (58%) da população pobre do país vive na região. Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) demonstram que 67,4% das crianças e adolescentes no Semiárido são afetados pela pobreza3. São quase nove milhões de crianças e adolescentes desprovidos dos direitos humanos e sociais mais básicos, e dos elementos indispensáveis ao seu desenvolvimento pleno.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Semiárido é considerado baixo para aproximadamente 82% dos municípios, que possuem IDH até 0,65. O que significa um déficit em relação aos indicadores de renda, educação e longevidade para 62% da população do Semiárido.
Renda
As contradições e injustiças que permeiam a região podem ser percebidas inclusive no acesso à renda, que reflete também uma forte desigualdade de gênero. Metade da população no Semiárido, ou mais de dez milhões de pessoas, não possui renda ou tem como única fonte de rendimento os benefícios governamentais. Na sua maioria (59,5%) mulheres.
Os que dispõem de até um salário mínimo mensal somam mais de cinco milhões de pessoas (31,4%), sendo 47% mulheres. Enquanto isso, apenas 5,5% dispõem de uma renda entre dois a cinco salários mínimos, a maioria (67%) homens, e dos 0,15% com renda acima de 30salários mínimos apenas 18% são mulheres5.
O Índice de Gini, que mede o nível de desigualdade a partir da renda, está acima de 0,60 para mais de 32% dos municípios do Semiárido, demonstrativo de uma elevada concentração da renda na região. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.
Essa realidade metrificada e calculada pelas estatísticas é o reflexo de milhões de vidas que lutam cotidianamente sem o acesso aos direitos sociais e humanos mais fundamentais: aqui se inclui o direito à água. Uma realidade que exige transformações urgentes.
Êxodo
A população rural, de mais de oito milhões e meio de pessoas, reduziu 5,7% em relação ao ano de 2000, e hoje representa apenas 38% da população na região. Foram mais de 520 mil pessoas que deixaram de viver no Semiárido rural nos últimos dez anos. Estes números acompanham uma tendência no país, onde a população rural caiu em 6,3% no período analisado.
Esse dado reflete, também, que o Brasil ainda está aquém de garantir as condições necessárias para a opção das famílias de permanência no campo, em especial no Semiárido. Entre os principais elementos nesse processo está a elevada concentração de terras e de água.
Terra
Caracterizada por prolongado período seco, irregularidade de chuvas, semiaridez do clima e alta taxa de evapotranspiração, a região é marcada por uma histórica estrutura concentradora de renda, riquezas, água e terra.
No Semiárido existem mais de um milhão e setecentos mil estabelecimentos agropecuários (33% em relação ao total no país). Destes, 73% são proprietários que concentram 93% das terras da agropecuária; enquanto isso, 27% dos estabelecimentos agropecuários no Semiárido encontram-se em situação precarizada na relação com a terra, dispondo de apenas 7% da área.
Aqui se inclui o grupo de assentados/as sem titulação definitiva, com 2,8% do número de estabelecimentos; os arrendatários, com 3,7%; os parceiros, com 3,9% e os ocupantes com 11% dos estabelecimentos agropecuários. Soma-se a estes o grupo de produtores/as sem área no Semiárido, havendo mais de 92 mil famílias agricultoras nessa condição (5,4% dos estabelecimentos agropecuários), representando 36,3% das famílias agricultoras sem área do Brasil concentradas no Semiárido.
Água
Essa concentração rebate também na questão da água, apresentando reflexos em diversas dimensões da vida das pessoas. Atualmente 67% das famílias rurais nos estados que compõem o Semiárido não possuem acesso à rede geral de abastecimento de água, sendo que 43% utilizam poços ou nascentes, e 24% utilizam outras formas de acessar a água, que compreendem inclusive, buscas em fontes distantes, com longas caminhadas diárias, para o uso de uma água muitas vezes inadequada ao consumo humano.
Nesse contexto, a dificuldade no acesso à água, que em parte seria resultado do índice pluviométrico e da elevada taxa de evapotranspiração, é consequência, mais do que tudo, de uma política concentradora da água, através da qual uns poucos e privilegiados detêm a posse e uso de quase toda a água do Semiárido, enquanto outros morrem de sede.
Em um Semiárido com inúmeras desigualdades, são também múltiplas as alternativas e estratégias possíveis para a garantia do acesso à água por suas populações, muitas construídas por elas próprias. Na luta diária pela sobrevivência, mulheres e homens, portadores de um vasto saber adquirido a partir da observação da natureza ao longo dos tempos, aprenderam a arte de conviver com o meio ambiente olhando os ciclos das chuvas, o comportamento das plantas, dos animais e as características do clima e do solo.
Foi esse conhecimento que construiu as melhores técnicas de convivência com o Semiárido, a partir da iniciativa da estocagem, que tem sido garantida a partir da construção de tecnologias sociais para captação e armazenamento da água da chuva.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
PREVISÃO DE CHUVAS PARA O NORDESTE NO PERÍODO DE MARÇO A MAIO DE 2011

Meteorologistas do Nordeste e de institutos nacionais estiveram reunidos em Natal, nos dias 17 e 18 de Fevereiro de 2011, com o objetivo de definir o comportamento das chuvas no semiárido. O documento entregue à governadora Rosalba Ciarlini no encerramento do encontro mostra que o Rio Grande do Norte, assim como os demais estados da região do semiárido nordestino não será penalizada pela estiagem e terá chuvas de normal a acima da média histórica. De acordo com as informações do agrometeorologista da Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, José Espínola, um dos fenômenos decisivos para as chuvas aqui no Nordeste é a mudança na temperatura dos oceanos. Segundo ele, as análises feitas nas temperaturas dos oceanos pacífico e atlântico norte e sul mostraram bom indicativo para o período chuvoso na região. Segundo ele:" 45% da probabilidade são de um inverno normal, com chuvas em torno da média, 40% de chuvas acima da média e 15% de chance se ter pouca chuva".
Educação para o semiárido é discutida em Feira de Santana
Projeto Cisternas nas Escolas, desenvolvido em 13 municípios baianos, realiza entre quinta (27) e sábado (29), em Feira de Santana, seminário sobre educação contextualizada para o semiárido.
Cisternas e hortas comunitárias estão possibilitando alimentação de qualidade para diversos alunos da zona rural
Entre quinta (27) e sábado (29) acontece em Feira de Santana (BA) mais um Seminário de Formação de Professores do Projeto Cisternas nas Escolas. O evento, que será realizado na Pousada Central, reunirá educadores de 13 municípios do semiárido baiano, debatendo métodos de ensino apropriados às comunidades sertanejas, a chamada “educação do campo contextualizada”. A iniciativa é do Centro de Assessoria do Assuruá (CAA), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) e Governo Federal.
Iniciado em 2009, o Cisternas nas Escolas implantou cisternas de armazenamento de água em 43 unidades escolares, além de hortas comunitárias, que estão possibilitando alimentação de qualidade para diversos alunos da zona rural. A formação de professores é uma das principais atividades do projeto, com o objetivo de levar para a sala de aula as reflexões sobre a realidade local, valorizando a região e incentivando a permanência no campo.
Com a experiência do Projeto Cisternas nas Escolas, a Bahia ganhou visibilidade nacional, tornando-se referência para ações na área de segurança alimentar. A iniciativa está sendo ampliada para os demais estados nordestinos, numa parceira entre a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), Cooperação Espanhola e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Educação no Semi Arido (Filosofia)
RESAB adia realização do II Seminário Nacional sobre Educaçao Contextualizada no Semiárido
A Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (RESAB) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) adiaram realização do II Seminário sobre Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido Brasileiro, previsto para o período de 24 a 26 de novembro, no Grande Hotel de Juazeiro, no município de Juazeiro da Bahia. A previsão é que em breve a nova data possa está sendo divulgada.
O referido Seminário tem por objetivo geral, contribuir para a ampliação e fortalecimento de articulação, interação e debate entre profissionais da educação, pesquisadores (as), gestores (as) de Programas e políticas públicas, educadores populares, estudantes e público, em geral, visando à produção coletiva de subsídios voltados ao aperfeiçoamento, formulação e implementação de políticas públicas que contemplem os princípios e preceitos teórico-metodológicos da educação contextualizada para a convivência com o Semiárido.
O evento será constituído de palestras, mesas, painéis, lançamentos de livros e debates. Poderão participar do Seminário profissionais da educação, pesquisadores, gestores de programas e políticas públicas, estudantes e outras pessoas interessadas no tema. As inscrições poderão ser efetivadas em breve através do site específico do evento.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
O Semi-Árido
O SEMI-ÁRIDO

09.04.2003
O Semi-Árido brasileiro é um dos maiores, mais populosos e também mais úmidos do mundo. Estende-se por 868 mil quilômetros, abrangendo o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma parte do sudeste do Maranhão. Vivem nessa região mais de 18 milhões de pessoas, sendo 8 milhões na área rural. A precipitação pluviométrica é de 750 milímetros anuais, em média. Em condições normais, chove mais de 1.000 milímetros. Na pior das secas, chove pelo menos 200 milímetros, o suficiente para dar água de qualidade a uma família de cinco pessoas por um ano.
Mas a chuva é má distribuída física e temporalmente. Devido às características climáticas da região, o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação do Brasil, o que torna reservatórios de água pouco profundos inúteis em épocas de seca. Além disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a chuva, é geralmente poluída e cheia de vermes. Essa água é responsável por grande parte das doenças do sertão: amebíase, diarréia, tifo, cólera.
Mas a chuva é má distribuída física e temporalmente. Devido às características climáticas da região, o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação do Brasil, o que torna reservatórios de água pouco profundos inúteis em épocas de seca. Além disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a chuva, é geralmente poluída e cheia de vermes. Essa água é responsável por grande parte das doenças do sertão: amebíase, diarréia, tifo, cólera.
O PROJETO CISTERNAS
O Projeto 1 Milhão de Cisternas (P1MC) pretende construir uma cisterna para cada casa do Semi-Árido Nordestino, onde, se calcula, vivem cerca de 3 milhões de famílias. Em 2001 foi criada a Articulação para o Semi-Árido (ASA), entidade que reúne mais de 700 Organizações Não-Governamentais (ONGs) presentes no Nordeste com o objetivo de erradicar a pobreza e a fome da região. A ASA adotou um projeto já existente da Caritas (uma instituição de assistência social ligada à Igreja Católica).
Após avaliação do impacto da construção de cisternas em algumas pequenas comunidades, a ASA decidiu tentar ampliar o projeto, para construir 1 milhão de cisternas que beneficiassem 5 milhões de pessoas no prazo de cinco anos. Já foram construídas 4.000 cisternas. Os planos contemplam a construção de 45 mil no primeiro ano, 138.500 no segundo, 275.400 no terceiro, 299.100 no quarto e 242 mil no quinto, a um custo estimado de R$ 1.300,00 para cada cisterna, nos cálculos das ONGs.
A ONG dos funcionários do Banespa, que construiu pouco mais de 90 cisternas na região, chegou a custos que variam entre R$ 844,00 até R$ 1.200,00. A variação é grande não só pelas cisternas poderem ser de diferentes tamanhos (10 mil até 20 mil litros) e tipos, mas também por depender do uso de mão-de-obra local, para complementar a renda da própria família, ou de moradores da região que constroem os reservatórios em sistema de mutirão.
As cisternas são feitas com placas pré-moldadas de cimento, segundo know-how de um morador da região. Nel, pedreiro de Simão Dias, Sergipe, começou a construir cisternas de placas há 35 anos, com seu irmão. De lá, a prática se estendeu para Bahia, espalhando-se pelo Nordeste.
Os benefícios do Projeto Cisternas consistem em reduzir drasticamente a mortalidade infantil, combater o analfabetismo, aumentar a renda, organizar as comunidades, frear o êxodo rural.
Assinar:
Postagens (Atom)

